O peso da prata: Brasil acumula mais um vice em Major e lista de campeões ganha novos nomes

Enquanto a Falcons comemorava o título inédito para NiKo e o bicampeonato de karrigan, eu não pude deixar de olhar para o lado brasileiro da final do IEM Cologne Major e sentir um misto de orgulho e frustração. A FURIA caiu por 3 a 0 diante dos europeus, e com isso, o Brasil soma mais um vice-campeonato em sua história – o 12º, para ser exato. Eu sei que ninguém gosta de falar em “quase”, mas, aqui no Portal VagaNerd, acredito que é importante analisar esse retrospecto para entender onde o CS brasileiro erra e, principalmente, onde acerta.

Vamos aos números frios. Com a derrota deste domingo, a FURIA se tornou vice-campeã de um torneio de peso pela segunda vez em sua trajetória. A primeira foi no ECS S7 Finals, em 2019, quando perderam para a Vitality. Agora, somam-se a essa lista outros gigantes brasileiros que bateram na trave. Eu fiz questão de relembrar cada uma dessas finais perdidas, e confesso que a lista é dolorosa:

  • DreamHack Winter 2015: Fnatic 2×1 Luminosity
  • IEM Katowice 2016: Fnatic 3×0 Luminosity
  • ECS S1 Finals: G2 2×0 Luminosity
  • ESL Pro League S4 Finals: Cloud9 2×1 SK
  • IEM Oakland 2016: NiP 2×1 SK
  • DreamHack Masters Las Vegas: Virtus.pro 2×1 SK
  • PGL Major Krakow: Gambit 2×1 Immortals
  • BLAST Pro Series Istanbul 2018: Astralis 2×1 MIBR
  • ECS S6 Finals: Astralis 2×0 MIBR
  • ECS S7 Finals: Vitality 2×0 FURIA
  • IEM Kraków: Vitality 3×1 FURIA
  • IEM Cologne Major: Falcons 3×0 FURIA

Dessa lista, o que mais me chama a atenção é o fato de que, em Majors, o Brasil agora tem dois vices: o da Immortals em 2017, que perdeu para a Gambit, e o da FURIA agora em 2026. Ou seja, estamos há quase uma década tentando repetir o feito de 2016, quando a Luminosity/SK levantou a taça em Cologne. E não é por falta de talento – FalleN, fer, coldzera e companhia já mostraram que o Brasil sabe jogar CS no mais alto nível. Mas, como o próprio FalleN disse na entrevista à Dust2 Brasil, “temos que saber perder também. Quando ganha é muito bom, mas, quando a derrota vem, temos que saber manter a cabeça erguida”.

E a derrota veio justamente contra uma Falcons que, agora, coloca mais quatro nomes na lista de campeões de Major. Olha que interessante: do quinteto da Falcons, apenas karrigan já tinha um título mundial. Com a vitória em Cologne, ele se torna bicampeão, e os outros quatro – incluindo NiKo – entram para o hall dos imortais. Eu sei que muitos fãs de CS adoram essas estatísticas, então fui conferir a lista completa de campeões, e ela é de tirar o fôlego.

No topo, está Peter “dupreeh” Rasmussen com cinco títulos. Logo atrás, com quatro, temos nomes como Xyp9x, device, gla1ve, Magisk e apEX. Com três títulos, figuram pronax, flusha, JW, ropz e ZywOo. E, agora, com dois títulos, além de karrigan, temos outros gigantes como olofmeister, KRIMZ, FalleN, fer, coldzera, fnx, TACO e o próprio b1t. Sim, FalleN e a velha guarda brasileira já são bicampeões mundiais – o que torna o vice de agora ainda mais agridoce para o capitão.

O que eu acho fascinante nessa lista é a diversidade de nacionalidades e eras. Temos suecos, dinamarqueses, franceses, brasileiros, russos e até um canadense (Twistzz) e um britânico (mezii). O Counter-Strike sempre foi um esporte global, e o IEM Cologne Major só reforçou isso. A Falcons, com sua formação internacional, representa bem essa mistura – e o título deles é fruto de um projeto que levou tempo para amadurecer, assim como o da FURIA, que vem numa crescente boa, segundo a análise do próprio FalleN.

“Os últimos dois meses foram muito bons. Fomos crescendo desde Astana até aqui, fizemos um Major muito sólido, 3-0. Vencemos dois jogos de playoffs, que é uma coisa que não acontecia há muito tempo nesse time”, disse FalleN. E eu não poderia concordar mais. A FURIA mostrou evolução, especialmente na fase de grupos e nas quartas, onde atropelaram adversários de peso. O problema, mais uma vez, foi a inconsistência em momentos decisivos – algo que o capitão admite e que a comissão técnica terá que trabalhar na pausa de julho.

Falando em pausa, FalleN já adiantou que vai descansar com a família, viajar e se desconectar por duas semanas. Mas ele deixa claro que 2026 é seu último ano como jogador profissional – ou, pelo menos, o último com dedicação máxima. “Em algum momento da próxima temporada, vamos começar a pensar nos planos também para 2027, qual jogador vai entrar no meu lugar. Vou dar o meu máximo para levar o time ao máximo de sucesso até dezembro”, afirmou. É uma declaração que pesa, porque FalleN é, sem dúvida, o maior ícone do CS brasileiro. Ver ele se despedir aos poucos é como ver uma era chegando ao fim.

Mas, enquanto ele ainda está na ativa, eu vou continuar torcendo para que o Brasil volte a levantar uma taça de Major. O histórico de vices é grande, mas a história do CS brasileiro também é repleta de superações. Se NiKo demorou 17 Majors para vencer, por que a FURIA ou qualquer outra equipe brasileira não pode quebrar esse jejum? A resposta, eu acredito, está nos detalhes – na execução dos pistols, nas decisões em rounds clutch, na confiança em momentos de pressão. E, pelo que vi na final, a FURIA tem potencial para corrigir esses erros.

Por fim, não posso deixar de citar novamente a Dust2 Brasil, que fez uma cobertura impecável do evento e trouxe as declarações mais sinceras dos jogadores. Se você quer acompanhar o CS brasileiro em cada detalhe, aquele portal é referência obrigatória. E eu, daqui do Portal VagaNerd, vou seguir de olho na próxima temporada, que começa em julho, para ver se a Pantera finalmente consegue transformar a prata em ouro. Porque, no CS, a história nunca acaba – ela só espera o próximo round.


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