Steam Machine é real, custa mais de US$ 1.000 e já tem data para chegar – mas vale o preço?
A espera acabou. Depois de anos de especulações, rumores e adiamentos internos, a Valve finalmente revelou os detalhes que faltavam da Steam Machine. O novo PC compacto da empresa começa a ser enviado a partir do final de julho — mas, atenção: apenas para quem for sorteado em um sistema de reservas que promete ser extremamente concorrido. E, confesso, a notícia vem com um choque de realidade: o aparelho não vai ser nada barato.
Para participar do sorteio, é preciso se cadastrar no sistema de pré-compra da Valve até o dia 25 de junho — e, infelizmente, o Brasil não está na lista de países atendidos. Após o fechamento das inscrições, a empresa vai randomizar os resultados e entrar em contato com os escolhidos. Quem ficar de fora será colocado em uma lista de espera que só deve ser atualizada em 2027, e a Valve já avisou que, quando o aparelho for reposto, pode haver aumento de preços, já que componentes como memória RAM e SSDs continuam em alta.
Os preços da Steam Machine
E o valor é o grande ponto de atenção. Para levar uma Steam Machine para casa, o investimento inicial é de pelo menos US1.049—oque,emumaconversa~odireta,batenacasadosR 5,4 mil. Por esse preço, o consumidor leva um aparelho com 512 GB de armazenamento e, pasmem, nenhum acessório incluído. O controle, peça fundamental da experiência, vem separado.
- 512 GB – US$ 1.049
- 2 TB – US$ 1.349
- 512 GB com controle – US$ 1.128
- 2 TB com controle – US$ 1.428
Se você quiser o pacote completo, a versão com 512 GB e o novo Steam Controller sai por US1.128(cercadeR 5.794). E aqui vai um alerta que considero importante: essa pode ser a única chance de conseguir o controle por meios oficiais antes de ele voltar a ser vendido sozinho, o que está previsto apenas para 2027. Quem optar pelos modelos com 2 TB ainda leva de brinde dois painéis frontais adicionais — mas a Valve promete disponibilizar arquivos CAD gratuitamente para que qualquer outra fabricante produza acabamentos personalizados.

Especificações técnicas de respeito
Agora, vamos ao que interessa: o que essa máquina tem por dentro? As especificações são robustas e mostram que a Valve não brincou em serviço. O sistema operacional é o SteamOS 3, e o coração da máquina é uma CPU AMD Zen 4 semicustomizada de 6 núcleos e 12 threads, com clock de até 4,8 GHz e TDP de 30W. A GPU é uma AMD RDNA 3 também semicustomizada, com 28 unidades de computação rodando a 2,45 GHz e TDP de 110W. São 16 GB de RAM DDR5 + 8 GB de VRAM GDDR6, armazenamento em NVMe SSD de 512 GB ou 2 TB, além de compatibilidade com cartões microSD.
Em termos de conectividade, a Steam Machine vem com WiFi 6E, Bluetooth 5.3 com antena dedicada, saídas DisplayPort 1.4 (que suporta até 4K a 240 Hz ou 8K a 60 Hz, com HDR, FreeSync e daisy-chaining) e HDMI 2.0 (até 4K a 120 Hz, também com HDR, FreeSync e CEC). As portas USB incluem duas USB-A 3.2 Gen 1, duas USB-A 2.0 e uma USB-C Gen 2. O design é compacto: 152 mm de altura, 162,4 mm de profundidade e 156 mm de comprimento, pesando 2,6 kg. E, para os fãs de RGB, são 17 LEDs customizáveis na parte frontal, que indicam status do sistema e outras funções.
O que dizem os primeiros reviews
Acompanhei as impressões iniciais da imprensa com atenção, e o consenso parece ser o de que a Steam Machine atende a um nicho muito específico. A IGN destaca que o dispositivo é um bom PC de entrada, especialmente para quem procura uma solução que demanda menos configurações. Já a PC Gamer vai na contramão, afirmando que, apesar de o produto ter um bom resfriamento e ser silencioso, ainda faz mais sentido montar uma máquina do zero. A Eurogamer decretou que a Steam Machine é um hardware único e interessante, mas definitivamente caro demais. Opinião semelhante vem do Rock, Paper, Shotgun, que elogia o design da Valve e diz que o produto realmente cumpre o que promete — mas a um custo muito mais alto do que o ideal.
Vale a pena?
E é exatamente esse o ponto que me faz refletir. Por mais que os consoles tenham encarecido nos últimos anos, a Steam Machine não se posiciona como concorrente direta deles. Ela é um PC compacto, com curadoria da Valve, mas o preço de entrada afasta qualquer comparação com um PlayStation ou Xbox. Para o jogador casual, que só quer ligar e jogar, um console de R$ 3.000 faz mais sentido. Para o entusiasta que gosta de mexer em configurações e trocar peças, montar o próprio PC pode sair mais barato e oferecer mais flexibilidade.
Talvez a Steam Machine seja feita para um público muito específico: o fã da Valve que quer ter o hardware oficial da empresa, o jogador que viaja muito e quer um PC compacto para levar na mala, ou o colecionador que vê valor em um produto de edição limitada. E, nesse sentido, a estratégia de vendas por sorteio faz todo o sentido — cria exclusividade e transforma o aparelho em um objeto de desejo, não apenas em um eletrônico funcional.
De qualquer forma, é inegável que a Valve está movimentando o mercado. A Steam Machine chega em um momento em que os PCs gamers estão cada vez mais caros e os consoles estão em alta. Pode não ser a revolução que muitos esperavam, mas é, no mínimo, uma aposta ousada. E, como jornalista que cobre esse setor, vou acompanhar de perto os próximos passos da empresa — especialmente quando os primeiros usuários começarem a compartilhar suas experiências reais com a máquina.
Por enquanto, fica a lição: a Steam Machine é real, é potente, é bonita, mas vai exigir um investimento pesado. Se vale ou não a pena, só o tempo — e o bolso de cada um — vai dizer.
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